Domingo, 13 de Janeiro de 2008

...

já não morava lá ninguém. a minha irmã já estava a estudar em lisboa.
íamos todos sábados, verão ou inverno no renault 5 azul. carregado de
sacos de adubo, garrafões, o bidon de gasolina para regar as hortas
com o motor. a minha mãe, o meu pai e eu. passavamos pelo manel das
couves e apanháva.mos a minha tia dulce. ela levava sempre daqueles
queijinhos frescos que só ela sabia fazer. levava.me sempre um maço de
português suave amarelo que me dava às escondidas. uma nota de 100 e
às vezes a de quinhentos para a discoteca de almodovar. a minha tia
dulce quase nunca ria. era velha sem o ser ainda. triste, amarga,
fodida com a vida, tinha medo de trovoadas. tinha uns olhos tão
bonitos, escuros, não lembro se pretos ou castanhos. a minha tia dulce
quase nunca ria, muito raramente. quando estávamos no monte ela
brincava comigo e não parecia velha. trazia uma data de cantaros de
água, do poço até ao monte. fazia uma rodilha com uma toalha e
trazia.os à cabeça. não queria que o meu pai os trouxesse no carro
como trazia os nossos. só eu a ajudava e era com um carrinho de mão
todo ferrugento, de ferro, pesava uma tonelada mesmo sem nada lá
dentro. eu e a minha tia lembravamos dos nossos que moraram lá,
contava.me as eternas histórias, ouvidas vezes sem fim. eu gostava
tanto, ria. a minha Tia Dulce ria!

rbl às 15:34
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